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Sobrevivendo ao Rio Paraíba do Sul

Por Bruno Rezende.

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Há alguns dias eu postei no Twitter uma foto registrada durante um passeio pela unidade do SESC em Barra Mansa – RJ. Acreditei que poderia ser um evento raro presenciar pela manhã algumas capivaras descansando sob a sombra de uma árvore às margens de um rio tão mal tratado pela poluição e pelos desastres ambientais. Mas ontem quando voltei ao mesmo lugar percebi novamente a presença destes roedores, só que desta vez um grande grupo de 16 capivaras, entre adultos e filhotes, passeando calmamente pelas margens do rio Paraíba do Sul.
Muitos poderiam dizer que isso é normal, até porque as capivaras têm muitos filhotes e que no trecho de cidades eles não possuem predadores naturais. Mas levando em consideração o esgoto bruto e os resíduos tóxicos que são lançados diariamente neste rio, a falta de consciência da população e os últimos desastres ambientais, percebemos que estes e outros animais não vivem no rio, eles sobrevivem ao rio.


E se a água que usamos estivesse contaminada por medicamentos?

Por Bruno Rezende.

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O título desta postagem pode parecer apocalíptico e conspiratório, mas não é. Trata-se apenas de uma realidade que nós consumidores não damos a menor importância. A imagem que ilustra esta postagem representa bem o destino final que os consumidores brasileiros costumam dar para os medicamentos vencidos. E quando não vão para a pia ou vaso, os medicamentos vencidos terminam no lixo comum, o que é pior ainda.
Levando-se em consideração que apenas 12,5% dos municípios brasileiros possuem aterro sanitário (segundo IBGE), que 92,5% dos consumidores nunca se questionaram sobre a forma correta de fazer o descarte de medicamentos (segundo pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e Bioquímicas Oswaldo Cruz), que muitos resíduos de medicamentos não são removidos durante os vários processos nas estações de tratamento de esgoto (segundo estudo do COPPE-UFRJ), que o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) não tem nenhum tipo de regulamentação sobre como proceder com os resíduos residenciais e que a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda não têm normas que abranjam o consumidor final com relação ao descarte de medicamentos, temos então um belo problema ambiental que vai alimentar outro problema, o de saúde pública.
Diante disso não tem como não pensar que há um bom tempo estamos usando água contaminada com substâncias tóxicas originadas por medicamentos descartados incorretamente.